Duas Cabeças Pensam Melhor Que Uma?

A fagulha necessária para a criação de um post surgiu na leitura de alguns posts por aí (como esse), que me fizeram lembrar de um assunto sobre o qual eu tenho vontade de escrever a algum tempo: programação em pares.

Uma das razões para eu escrever sobre isso é o fato de eu já ter experimentado a programação em pares em duas oportunidades, a primeira na minha empresa no Brasil, e a segunda agora na ThoughtWorks University, e nesses dois períodos eu tenho percebido muito mais vantagens do que desvantagens nessa prática.

Programar em duplas, embora possa parecer anti-econômico à primeira vista, resulta em código muito melhor, aumenta a produtividade dos desenvolvedores (que não tem tempo para ficar lendo e-mails e falando no msn) e, principalmente, propicia o compartilhamento de informações e habilidades entre todos os membros da equipe, um dos problemas abordados nesse outro post.

Por sinal, o compartilhamento de informações é auxiliado por uma outra prática, que é a troca freqüente de pares, o que é detalhado no artigo Promiscuos Pair Programming, de Arlo Belshee, que também incentiva uma terceira prática, que é de o driver da dupla (o desenvolvedor que está efetivamente teclando) , seja aquele que possui menos experiência no que está sendo feito, para que assim este aprenda novos conceitos o mais rápido possível. Citando o artigo acima:

Promiscuity, it turns out, is a good way to spread a lot of information through a group quickly. Rapid partner swapping ensures that a good idea, once envisioned, is soon practiced by every pair. Replacing individual accountability with team accountability empowers each person to do those tasks at which he excels – and allow someone else to take over for his weaknesses.

E colocando o chapéu de desenvolvedor, para mim o principal benefício da programação em pares é um ambiente de trabalho muito melhor, e uma maior integração entre todos os membros da equipe. Faz diferença trabalhar ao lado de alguém, podendo conversar, trocar idéias e criar um relacionamento, ao invés de simplesmente chegar na empresa, sentar na frente de um computador e ficar lá até a hora de sair, sem falar com ninguém, como eu já vi em alguns ambientes onde eu trabalhei.

É claro que podem também surgir problemas na programação em pares, como é ressaltado nesse post, onde a troca excessiva de pares pode ser um problema. No entanto, ainda acho que esse e outros problemas podem ser resolvidos com bom senso, e os benefícios da prática são muito maiores.

Mas o que me incomoda um pouco (e também é uma das razões desse post), é que no Brasil pouco se tem falado sobre a utilização de programação em duplas. Em todas as listas e blogs que eu acompanho, essa prática era ressaltada a algum tempo atrás, mas parece que foi perdendo força aos poucos e hoje quase não é citada. Além disso, não tenho ouvido muitas notícias de empresas no Brasil adotando essa prática, ao contrário do que acontece no exterior.

Espero que eu esteja errado, e que as empresas estejam percebendo as vantagens de programar em duplas, e de como essa prática pode ser fundamental na formação de uma boa equipe de desenvolvimento de software.

Então, o que vcs acham, duas cabeças pensam melhor do que uma?

Abraços.

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